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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Óscares: a vitória de «O Discurso do Rei»

Por: Redacção / Paula Oliveira e Pedro Calhau | 28- 2- 2011 6: 13

www.tvi24.iol.pt
«O Discurso do Rei» foi o vencedor da noite dos Óscares ao arrecadar quatro estatuetas douradas, incluindo as mais cobiçadas - Melhor Filme e Melhor Realizador. O filme de Tom Hooper, que conta a história de gaguez do rei George VI, venceu também nas categorias de Melhor Actor (Colin Firth) e Melhor Argumento Original (David Seidler), mas acabou por ficar muito longe das 12 nomeações que levava à partida.

Também com quatro Óscares, o filme «A Origem», de Christopher Nolan, acabou por estar no top dos vencedores. Venceu o Óscar para Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som, Melhor Mistura de Som e Melhor Fotografia. As três primeiras de ordem técnica, com menor prestígio. Mas tinha oito nomeações.

Nesta edição, os Óscares para a representação não trouxeram surpresas. Natalie Portman venceu na categoria de Melhor Actriz pelo seu papel em «Cisne Negro» - o único que o filme acabou por receber dos cinco para que estava nomeado. Colin Firth recebeu a estatueta para Melhor Actor. Nos papéis secundários, Melissa Leo e Christian Bale - ambos do elenco de «The Fighter - Último Round», levaram os Óscares.

O filme dos irmãos Joel e Ethan Coen - «Indomável» - era o segundo mais nomeado e acabou por sair como chegou: sem nada. O nome Coen (só ele estava em três categorias) não foi ouvido esta noite e a única relação (indirecta) com o western foi quando Jeff Bridges apresentou o Óscar de Melhor Actriz.

Também «127 Horas» esteve num plano idêntico. Além de James Franco ter ficado pela nomeação e apresentação da cerimónia, mais nenhuma novidade esteve ligada ao filme de Danny Boyle. «127 Horas» entrava como quinto filme em nomeações e também nada.

Num plano intermédio entre os números de nomeações e os Óscares ganhos estão «A Rede Social», «The Fighter - Último Round» e «Cisne Negro». Todos tinham entre oito e cinco nomeações e ganharam poucos prémios, mas todos também ganharam Óscares importantes.

Se há uma conclusão a retirar da 83ª cerimónia de atribuição dos Óscares da academia de Hollywood, é que não houve um vencedor esmagador nem surpresas de maior. Não fosse o palavrão de Melissa Leo e o bom momento de humor de Billy Crystal e quase não haveria história para contar.

Na apresentação, Anne Hathaway e James Franco prestaram-se ao papel de par jovem e bem-disposto, mas na maratona de 24 prémios não houve tempo para os clássicos momentos de humor de outros tempos. Franco, que estava nomeado para Melhor Actor, ainda se vestiu de drag queen Marilyn Monroe e foi tweetando alguns momentos de bastidores, mas de Anne só se viu o sorriso largo e uma piada inicial sobre as actrizes de outros tempos. Aquelas que bastava despirem-se num filme para serem nomeadas nos Óscares - uma alusão ao filme «O Amor é o Melhor Remédio», onde aparecia sem roupa.

Veja então os filmes ganhadores e perdedores da 83ª edição dos Óscares:

12 nomeações: «O Discurso do Rei»: 4 óscares
10 nomeações: «Indomável»: 0 óscares
8 nomeações: «A Origem»: 4 óscares
8 nomeações: «A Rede Social»: 3 óscares
7 nomeações: «The Fighter - Último Round»: 2 óscares
6 nomeações: «127 Horas»: 0 óscares
5 nomeações: «Cisne Negro»: 1 óscar
4 nomeações: «Toy Story 3»: 2 óscares
4 niomeações: «Despojos de Inverno»: 0 óscares
3 nomeações: «Alice no País das Maravilhas»: 2 óscares
2 nomeações: «Harry Potter e os talismãs da Morte - Parte 1»0 óscares»
2 nomeações: «Como Treinares o Teu Dragão»: 0 óscares

Filmes que ganharam o Óscar a que concorreram: «The Lost Thing», Melhor Curta de Animação; «In a Better World», Melhor Filme Estrangeiro; «O Lobisomem», Melhor caracterização; «Strangers No More», Melhor Curta Documental; «God of Love», Melhor Curta e «Inside Job - A Verdade da Crise», Melhor Documentário.


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Oscar 2011: "O Discurso do Rei" marca a vitória do rato que ruge

28/02/2011 03h31
Sérgio Rizzo, especial para o Yahoo! Brasil

Daqui a alguns anos, é provável que pouca gente ainda se lembre de que o vencedor do Oscar 2011 foi uma produção independente britânica, relativamente modesta em suas intenções, mas simpática, bem-humorada e muito feliz na conquista dos eleitores da Academia de Hollywood em um ano discreto, sem candidatos a se tornarem clássicos. O rato que ruge.

Veja a lista completa de vencedores
Fotos da cerimônia
Tapete vermelho

Para a história, tenderá a ficar a impressão equivocada de que os quatro prêmios nobres concedidos a "O Discurso do Rei" -- melhor filme, direção (Tom Hooper), ator (Colin Firth) e roteiro original (David Seidler) -- consagraram uma superprodução norte-americana concebida desde o início para acumular estatuetas.

Não havia nenhum filme exatamente com esse perfil, o de "feito para o Oscar", na disputa deste ano. "A Origem", que também recebeu quatro prêmios (fotografia, efeitos visuais, mixagem de som e edição de som), talvez fosse o mais próximo da ideia de superespetáculo hollywoodiano, com um orçamento elevado (US$ 160 milhões, contra US$ 15 milhões de "O Discurso") e bilheteria generosa (US$ 292 milhões).

E havia "A Rede Social", que parecia o "filme do ano" ao acumular prêmios da crítica nos Estados Unidos no fim de 2010, mas que saiu da festa do Oscar com apenas três estatuetas (roteiro adaptado, trilha sonora e montagem) -- uma bagagem proporcional ao seu tamanho "quase-independente", com orçamento de US$ 40 milhões (inferior ao valor médio de uma produção industrial nos EUA).

Das 18 categorias disputadas por longas-metragens de ficção falados em inglês, esses três filmes foram vencedores em 11. Os prêmios restantes sobraram para "Alice no País das Maravilhas" (direção de arte e figurino), "O Vencedor" (ator e atriz coadjuvantes), "Cisne Negro" (atriz), "O Lobisomem" (maquiagem) e "Toy Story 3" (que, além de canção, ganhou também a "sua"categoria, de longa de animação).

Dos 10 candidatos a melhor filme, quatro passaram em branco. O pior desempenho foi o de "Bravura Indômita", com 10 indicações. Nos outros três casos -- "127 Horas" (seis indicações), "Minhas Mães e Meu Pai" (quatro) e "Inverno da Alma" (quatro) --, já se previa que as chances de premiação eram muito pequenas.

Na 60a. vez em que a cerimônia de premiação foi transmitida ao vivo pela TV, notou-se o esforço da Academia para atrair o público jovem (Anne Hathaway e James Franco puxaram a fila, como apresentadores, mas houve diversas outras participações de astros em ascensão) e para condensar o programa, reduzindo o número de piadas e a duração média dos discursos.

No fim da cerimônia, a apresentação de um coral de estudantes de uma escola pública de Staten Island (Nova York) e a reunião no palco de todos os vencedores representaram as modestas novidades de um espetáculo que, entra ano, sai ano, não consegue escapar de sua identidade. E quem disse que o seu público cativo deseja que escape?


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