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domingo, 18 de junho de 2017

Carlinhos Brown apoia causa gay, mas pede cautela com ‘excessos’

Para cantor, que relança ‘A Namorada’ e vai para a Parada Gay de Madrid, casais do mesmo sexo devem se beijar em público, mas sem expor a intimidade

Carlinhos Brown (Facebook/Reprodução)

Nos anos 1990, Carlinhos Brown estourou com um hit sobre uma namorada que… tinha outra namorada. O caso da música A Namorada, diz ele, é baseado em uma história que viveu, quando era garoto e vendia picolé na porta de uma escola, em Salvador. Carlinhos conheceu a filha da diretora do colégio, com quem namorou até descobrir que ela tinha uma parceira. O caso ilustra também, segundo o cantor, o seu apreço pela temática LGBT, causa que ele apoia e para a qual fez uma nova música, Orgulho de Nós Dois, que será lançada na Parada Gay de Madrid, dia 2 de julho – para a Parada Gay de São Paulo, diz nunca ter sido convidado. “Essa é uma causa que sempre mereceu respeito.” Simpatizante, ele afirma ver avanços na realidade da comunidade gay, “mas também excessos”. “Uma coisa é você assumir qualquer desejo seu sexual, outra coisa é um cuidado com a sua sexualidade, respeitar a sua intimidade”, diz ele em entrevista a VEJA. Confira abaixo:

Por que a temática gay o inspira? É qualquer temática humana de proteção. Da mesma forma que eu cuido de crianças e de pessoas que são consideradas apartadas da sociedade, eu também dou voz ao velho, ao gay, ao menor desamparado, ao drogado. Então, eu fui preparado, esse babalorixá que está aqui, para o cuidado, não apenas por uma causa. E essa é uma causa que sempre mereceu respeito. De onde eu venho, muitas pessoas foram maltratadas e desrespeitadas. Eu nasci um pouco para fazer essa delação do bem, de que é necessário respeitar o outro. Eu acredito que os LGBT têm ensinado muita gente a ter orgulho de si mesma, do seu país, da sua vida, a olhar as coisas para frente. Já é cafona tratar desse assunto como algo menor, como algo de coitado, já foi, já está na hora de virar essa página.

Acredita que avançamos bastante nessa área ou ainda falta muito? Houve muitos avanços, mas também tem excessos. A sexualidade precisa ser respeitada… Uma coisa é você assumir qualquer desejo seu sexual, outra coisa é um cuidado com a sua sexualidade. Você sendo ou não gay, você precisa também respeitar o ambiente onde você está. Não é uma aberração dois homens se beijando, duas mulheres se beijando, o que talvez seja uma aberração é o fato de você não respeitar a sua intimidade, quando aquilo torna-se exagero, e é isso que provoca o escárnio, que provoca a briga, que provoca a encrenca e, claro, há de ter um mistério no amor.

Como surgiu o convite para participar da Parada Gay de Madrid? Acho que surgiu por causa do meu discurso, que é conhecido em Madrid, e pelo fato de eu ter feito o Carnaval lá e por ter sido incrível, com mais de 1 milhão de pessoas, em 2005. Foi incrível porque eles tinham uma festa do lado que também estava juntando muita gente e, de repente, eles resolveram participar da nossa festa, e viram que a festa era deles, sobretudo no discurso, quando eu falei da igualdade… Aquilo foi muito forte e eu passei a ganhar muito mais respeito em Madrid e na Espanha, justamente por isso. E os ensinamentos, as lições, ficaram em todos nós. Então os caras disseram: ‘Venha, Carlinhos’ — e pediram que fizesse a música. Por isso, Madrid foi escolhida para ser a capital LGBT.

Você virá à Parada Gay de SP, também? Pela Parada Gay de São Paulo, eu nunca fui convidado a participar.

É verdade que A Namorada foi inspirada em uma história real, que você perdeu uma namorada para outra garota? Sim, claro que foi inspirada numa história real. Eu namorava alguém que eu adorava, adoro até hoje, pessoa maravilhosa… Ela usava um chapéu e ela estava me dando a atenção que podia não ter dado porque eu vendia picolé na porta da escola, na qual a mãe dela era diretora. A grande gozação é que quando eu entrei e fui chamado para tocar no festival da escola, eu deixei de ser o cara do picolé e a aquilo me ajudou muito, porque eu disse: ‘Pôxa, a música me dá um upgrade que eu não imaginava que eu tinha’. Eu passei a ser cortejado, respeitado. O pessoal falava: ‘Pow, o cara do picolé toca pra caramba’. E me engracei com essa menina que, por sua vez, não tinha preconceito, porque ela era classe média e namorava um cara assim. Mas depois eu descobri, e ela mesmo me falou, o que a mãe dela não entendia muito… Mas eu namorei com aquela mulher linda e todo mundo tinha ciúmes. Só que eu não gostava quando as pessoas ficavam tocando aquela música do Chacrinha, e foi por isso que eu fiz para defender ela. Eu disse: ‘Olhe, tem irmão grudado em sua cola, na porta da escola’. Porque eu sabia de tudo na porta da escola, eu era vendedor, eu sabia tudo. Só que eu não esperava que isso fosse acontecer. Caetano foi quem conheceu até com uma outra gravação essa música, ele adorava a gravação, e quando eu fiz meu primeiro disco, eu gravei, mas não esperava que fosse acontecer. A música explodiu, foi um grande hit mundial.

Por Maria Carolina Maia
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

“Não fiz nada de errado, só estou amando”, dispara Fernanda Gentil sobre namorada

Fernanda Gentil assumiu o namoro com a jornalista Priscila Montandon em 2016

Fernanda Gentil revelou os motivos de revelar publicamente a relação com Priscila Montandon. As duas jornalistas assumiram o namoro cinco meses após a loira ter se separado de Matheus Braga.

“Optei por falar publicamente do relacionamento porque pensei: ‘Não vou me esconder, não fiz nada de errado, só estou amando'”, disse Fernanda em entrevista à revista da “Gol” do mês de janeiro.

A apresentadora do “Esporte Espetacular” teceu elogios ao ex-marido. “O Matheus é sensacional, e eu não poderia ter escolhido pai melhor para o Gabriel. É preciso ter humildade para aceitar que um relacionamento acabou e coragem para se separar”, aconselhou.

Gentil ainda revelou que foi recusada em diversos testes na Globo. “Na última vez, cheguei até a etapa final e não passei. Gravei bem a cara do [apresentador] Marcelo Barreto, que me recusou, e pensei: ‘Eu volto'”, brincou.

por Henrique Brinco
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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Comercial com beijo gay é denunciado ao Conar: “Lavagem cerebral em crianças”


Vídeo com beijos entre iguais vira motivo de denúncia ao Conar

Um simples beijo entre dois homens em um comercial de TV está causando a maior polêmica. O vídeo promovido pelo Grupo Dignidade foi denunciado ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) por supostamente “fazer lavagem cerebral em crianças”.

A campanha chama-se “Eu odeio berinjelas” e está sendo veiculada nos intervalos comerciais das principais TVs abertas – incluindo a faixa nobre da Globo. A produção traz uma clara mensagem de combate à homofobia e ao preconceito.

A breve história gira em torno de um jovem que não gosta de berinjelas. Durante um jantar, a sogra dele oferece o fruto e ele pensa em várias crueldades contra o ingrediente, entre elas esfaqueá-lo ou explodi-lo. Mas, depois de tanto pensar, responde: “Não, obrigado”.

No final, o casal de homens se cumprimenta com um selinho em um restaurante. “Com orientação sexual é a mesma coisa: você pode discordar, mas tem que respeitar”, diz o locutor ao fundo. O denunciante, no entanto, afirma que o vídeo “transparece que as pessoas são agressivas somente pelo fato de não achar correto ser homossexual”.

O Conar recebeu a reclamação no dia 14 de outubro. O Grupo Dignidade já foi notificado e vai apresentar a defesa em breve. O diretor executivo, Toni Reis, afirma que “o comercial não ofende a dignidade de ninguém, apenas pede respeito à orientação sexual, tendo em vista os altos índices de violências e discriminação contra pessoas LGBT no Brasil”.

Veja o vídeo:



fonte
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“A Lei do Amor” vai abordar a bissexualidade; viúvo com filho se interessa por amigo gay

Gil Coelho e Danilo Ferreira vão se envolver em “A Lei do Amor”

Além do contexto político do momento, abordado com bastante propriedade, e da prostituição de luxo, “A Lei do Amor” promete mais um tema polêmico para seus próximos capítulos: a bissexualidade.

Frentista do posto de Salete (Cláudia Raia), com quem chegou a ter um caso, Wesley (Gil Coelho) vai se aproximar de Zelito (Danilo Ferreira) e começar a se questionar a respeito de sua sexualidade. Viúvo e com um filho pequeno para criar, Wesley se afeiçoa ao barman, bastante apegado ao bebê. A proximidade confunde o frentista, que, apaixonado pelo amigo, não conseguirá definir se é gay ou não.

A bissexualidade não é tão recorrente na teledramaturgia como a homossexualidade. Em “Por Amor” (1997), Rafael (Odilon Wagner) abandonava a esposa Virgínia (Ângela Vieira), após décadas de união, para viver ao lado de Alex (Beto Nasci).

Atualmente em exibição no Viva, “Torre de Babel” (1998) trazia Leila (Sílvia Pfeifer), desfrutando de um relacionamento harmônico com Rafaela (Christiane Torloni), após o desastroso casamento com Beto (Beto Simas).

Já em “Império” (2014), a complacente Beatriz (Suzy Rêgo) aceitava sem neuras o namoro de seu marido Cláudio (José Mayer) com Leonardo (Klebber Toledo).

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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Fernanda Gentil compartilha primeira foto ao lado da namorada

Fernanda Gentil compartilhou foto com a namorada e recebeu elogios

Vinte dias depois de assumir o namoro com a jornalista Priscila Montandon, Fernanda Gentil compartilhou uma foto ao lado da amada.

A postagem foi feita na noite desta segunda-feira (17) no Instagram. Nela, a apresentadora do “Esporte Espetacular” aparece fazendo uma selfie e sorrindo com a companheira.

“Mesmo sendo segunda em alguma ruela linda grega”, escreveu Gentil, que logo recebeu vários comentários elogiando o casal.

“Linda grega é a ruela ou a companhia? Senhor, que casal mais lindo… que Deus abençoe a relação. Felicidades”, desejou uma internauta. “Samba mais que tá pouco. Gatas demais!”, disse outro.

Veja:


por Guilherme Rodrigues
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

“Meu primeiro relacionamento foi com uma garota”, revela Miley Cyrus

Miley Cyrus disse que não entendia seu gênero e sexualidade

Em entrevista à edição de outubro da revista “Variety”, Miley Cyrus declarou que nunca entendeu o próprio gênero e sexualidade.

“Eu sempre odiei a palavra ‘bissexual’, porque pra mim isso era me rotula. Meus olhos começaram a se abrir durante a quinta ou sexta série. Meu primeiro relacionamento na vida foi com uma garota”, revelou a cantora.

Mesmo sendo criada na igreja, Miley disse que sabia que iria compreender o que acontecia. “Eu tinha o poder de saber que ficaria bem. Mesmo quando meus pais não entendiam, eu sabia que um dia eles iam compreender”, explicou.

Cyrus afirmou que só conseguiu aceitar a sua identidade depois que conheceu outras pessoas que viviam a mesma situação. “Eu fui a um centro LGBTQ em Los Angeles e comecei a ouvir histórias. Vi pessoas que não se identificavam apenas como homem ou mulher. Eu me identifico com eles mais do que com qualquer um na vida”, concluiu.

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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A fila andou: Fernanda Gentil assume namoro com uma jornalista

Apresentadora se separou do empresário Matheus Braga em abril


A fila andou para Fernanda Gentil. Separada do empresário Matheus Braga desde abril, a jornalista assumiu o namoro com a colega de profissão Priscila Montandon. A apresentadora do Esporte Espetacular falou sobre o assunto com o jornal O Globo.

A jornalista Fernanda Gentil e aquela que seria sua namorada, a também jornalista Priscila Montandon (A fila andou: Fernanda Gentil assume namoro com uma jornalista)

“Estou só exercendo meu direito de ser muito, muito feliz. Tenho apenas um recado, e é para os meus filhos, que mais cedo ou mais tarde podem ler ou ouvir tudo por aí: Lembrem de não se importarem com tudo o que dizem sobre nossa vida _ o que vale é que a mamãe fala com vocês em casa, olhando nos seus olhos. Não é o que vestimos que muda quem somos, e sim o que fazemos. Lembrem também, sempre, do nosso amor, que não tem cor, sexo ou raça. Amo vocês”, disse Fernanda à publicação.

Segundo o jornal, as duas estão juntas há três meses e recentemente estiveram na Grécia, celebrando o casamento de uma amiga em comum. No Twitter, Priscila se define como “Jornalista. Com diploma. Falo de novela e futebol. E de política. Ou seja, amenidades em geral”.

Fernanda e Matheus ficaram juntos durante cinco anos e têm um filho, Gabriel, de 1 ano. Ela também adotou Lucas, 9 anos.
Fernanda Gentil e o empresário Matheus Braga. Casal se separou em abril de 2016, após cinco anos juntos, entre rumores de traição

Fernanda Gentil e o empresário Matheus Braga. Casal se separou em abril de 2016, após cinco anos juntos, entre rumores de traição (Reprodução/Facebook)

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Daniel fala sobre os boatos envolvendo sua sexualidade: ‘Minha opção sempre foi mulher’

(Reprodução: Facebook)

Daniel, 45, concedeu uma entrevista à coluna "Música", do jornal "Extra", e comentou os boatos que já surgiram sobre a sua sexualidade.

O sertanejo desmentiu que seja gay e ainda confessou que todos esses rumores fizeram muito mal a sua família.
"Os boatos de que eu era gay surgiram numa época em que não expunha meu relacionamento. Mas nunca rebati. Primeiro, porque não tenho preconceito. Depois, porque não o sou, minha opção sempre foi mulher. Quem sofreu muito com esses comentários foi minha família, que é conservadora e recebia as notícias atravessadas", afirmou.

Casado com Aline de Pádua, 31, e pai de Lara, 3, e Luiza, 1, o cantor falou também sobre vaidade e cirurgia plástica. "Eu me acho aceitável, dentro das possibilidades (risos). Diante do espelho, tenho me questionado se vale a pena ou não colocar um botox".
Apesar dos 45 anos, ele se sente com apenas '20 e poucos'. "Tenho esse gás. Mas sempre tive preocupação com calvície, em ficar barrigudo. O metabolismo é outro. Quero envelhecer bem e com saúde. Minha família tem boa genética, tenho tudo para passar dos 80", declarou.
Sobre saúde, Daniel revelou que, no passado, comia de tudo, mas agora, controla a alimentação. Ele ainda disse que prefere cuidar das filhas do que estar em uma academia.

"Eu era de arroz, feijão, bife e ovo todo dia. Agora tudo mudou, é grelhado e saladinha. Tenho que me controlar com os doces, minha perdição. Academia, não curto. Troco qualquer malhação por um tempo a mais com minhas filhas. Dou comida, banho, troco fralda, penteio, levo e busco na escola. Só não dou de mamar no peito porque não tem jeito mesmo", brincou.

Completando 30 anos de carreira, o cantor lançará, em breve, um DVD comemorativo, gravado em São Paulo. Além disso, em outubro, ele estará novamente no júri da segunda temporada do reality "The Voice Brasil", da Globo.

fonte:http://br.omg.yahoo.com/blogs/notas-omg/daniel-fala-sobre-os-boatos-envolvendo-sua-sexualidade-183436811.html
Por Yahoo! Entretenimento | Notas OMG
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Protagonista da série "Prison Break" declara-se homossexual

O protagonista da série televisiva Prison Break, Wentworth Miller, declarou-se homossexual. Numa carta em que agradece e rejeita o convite para o festival de cinema de Moscovo, contesta a aprovação da lei "anti-gay" na Rússia.

foto ARQUIVO
Protagonista da série "Prison Break" declara-se homossexual
Wentworth Miller

A aprovação da lei "anti-gay" gerou diversos conflitos na Rússia. Miller declarou abertamente a sua homossexualidade e rejeitou o convite para assistir ao festival de cinema no Moscovo.

Através de uma carta publicada na Internet, Wentworth Miller, de 41 anos, agradeceu o convite à diretora do festival. "Como alguém que tem desfrutado de anteriores visitas à Rússia, deixar-me-ia feliz dizer que sim ao seu convite. No entanto, como um homem gay que sou, devo rejeitar o convite", escreve o ator.

Na carta, Miller, demonstrou-se "profundamente contrariado pela atitude do governo russo em relação aos homens e mulheres homossexuais".

"Não quero ir a um festival num país onde pessoas como eu são sistematicamente recusadas nos seus direitos básicos para viver e amar livremente" acrescenta Miller.

As novas leis na Rússia proíbem a "publicidade" para apoiar as orientações sexuais "não tradicionais" e ameaçam severamente quem "promover" a homossexualidade entre os menores.

fonte:http://www.jn.pt/PaginaInicial/Gente/Interior.aspx?content_id=3382534
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

‘Os gays das novelas estavam ficando héteros’, diz autor de ‘Cinquentinha’

17/12/09 - 07h12

Aguinaldo Silva renova maneira de mostrar a homossexualidade na ficção.
Minissérie do autor traz lésbica sexy de meia-idade e antagonista gay.
Dolores Orosco Do G1, em São Paulo

Foto: Divulgação/TV Globo
Foto: Divulgação/TV Globo

Os atores Ângela Vieira e Pierre Baitelli, que vivem os gays Leila e Carlo em 'Cinquentinha'. (Foto: Divulgação/TV Globo)

Uma mulher linda, na faixa dos 50 anos, surge nua e cheia de desejo quando Mariana (Marília Gabriela) abre as portas de seu armário. Um jovem gay reclama que o pai foi “inconveniente” ao morrer justamente na noite em que iria a uma festa.

As cenas descritas acima foram mostradas esta semana na minissérie “Cinquentinha” e contrastam com as versões politicamente corretas dos personagens homossexuais mais comuns na teledramaturgia. Diferente dos gays bonzinhos e pudicos que passaram pelas novelas nos últimos anos, o Carlo (Pierre Baitelli) de "Cinquentinha" é um típico vilão folhetinesco, enquanto Leila (Ângela Vieira) é uma lésbica madura e sexy.

Aguinaldo Silva, autor da minissérie que terá seu último episódio exibido nesta sexta-feira (18), diz que criou os papéis porque os homossexuais da ficção estavam “pasteurizados”. “Eles tinham comportamento dentro dos padrões da classe média mais careta. Estavam ficando héteros!”, alega.

Leia a entrevista completa com o autor Aguinaldo Silva

Desde que, há 15 anos, o casal Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes) causou polêmica em “A próxima vítima”, de Silvio de Abreu, novelistas têm apresentado gays castos, que beiram a perfeição. Para não ferir um suposto conservadorismo do espectador, esses personagens costumam ser amigos leais dos protagonistas das tramas e nunca têm contato físico com o par romântico – quando há um.

“Alguns eram completamente tolos, de tão bonzinhos. As pessoas podiam até pensar: ‘olha, eles são gays do bem, nem fazem sexo’”, opina Manuel Zanini, coordenador da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. “Houve avanços, mas os autores poderiam ousar mais. O espectador está menos preconceituoso, principalmente devido às campanhas de conscientização nos últimos anos”.

Explosão de lésbicas

A preocupação dos autores tem sua razão de ser. Caso emblemático do poder de rejeição popular foi registrado em “Torre de Babel” (1999), também de Silvio de Abreu, em que um casal lésbico de meia-idade foi eliminado precocemente dos capítulos.

Elegantes e bem sucedidas, as namoradas Rafaela (Christiani Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer) morreram na explosão de um shopping center, assim que o público começou a dar sinais de boicote às personagens.

Foto: Divulgação/Reprodução

Escalada gay na TV: os pioneiros Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes), de 'A próxima vítima'; as delicadas Jennifer (Bárbara Borges) e Eleonora (Mylla Christie), de 'Senhora do destino'; Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer), que foram 'explodidas' em 'Torre de Babel'; e a dupla do momento, Leila (Ângela Vieira) e Mariana (Marília Gabriela) de 'Cinquentinha'. (Foto: Divulgação/Reprodução)

Leila, papel de Ângela Vieira em “Cinquentinha”, tem perfil bem parecido com o das moças de “Torre de Babel”. Com um elemento a mais: é extremamente sexualizada e foi mostrada dividindo a cama com Mariana (Marília Gabriela).

Estreando em um papel de homossexual que lhe garantiu a sua primeira cena de nudez na TV, a atriz de 57 anos acredita que a personagem não incomodou o espectador por ter sido incluída em uma série de humor, como "Cinquentinha".

“Na comédia há mais aceitação por parte do público. E a Leila não é agressiva, pelo contrário: é feminina, totalmente resolvida e não fica panfletando sua opção sexual”, defende Ângela.

“Cerquei a Leila de cuidados. Ela tinha que ser bonita, segura de si e não lembrar em nenhum momento o estereótipo do que se conhece como ‘sapatão’”, enumera Aguinaldo, que, em “Senhora do destino” (2004), mostrou as jovens lésbicas Jennifer (Bárbara Borges) e Eleonora (Mylla Christie) – meninas delicadas, que não trocaram carícias ao longo dos capítulos. Moças de família mesmo.

Para Julian Rodrigues, militante do Grupo Corsa pelos direitos homossexuais, a personagem de “Cinquentinha” é “libertária”. “Gostei de ela ter sido mostrada como lésbica, mas que também sente atração por homens", aprova. É uma mulher decidida, não fica esperando o príncipe encantando. Nem a princesa”.
Malvado e sedutor

Rosto de anjo, alma de demônio é a melhor descrição Carlo, o antagonista da minissérie de Aguinaldo Silva. Manipulador, interesseiro e arrogante, o rapaz, segundo descrição do autor, usa da sedução para conseguir o que quer. Ser gay, “é apenas um detalhe” desse vilão de folhetim.


Novato na teledramaturgia - sua única experiência foi como o Escobar do especial “Capitu” - o ator Pierre Baitelli, de 25 anos, interpretou personagens gays na peça “Cânticos infernais” e no filme “Como esquecer”. Mas reconhece que na TV a ousadia é maior.

“Procurei não dar nenhum peso ao fato de ser um vilão que é homossexual. Não foquei em nada que pudesse me atrapalhar ou me deixar mais nervoso do que minha cobrança pessoal em realizar um bom trabalho”, explica Pierre, que diz ter buscado inspiração em filmes de Bernardo Bertolucci, Pier Paolo Pasolini e Luchino Visconti.

“Carlo é um personagem ousado, uma figura cheia de si, sem caráter, sem sentimento”. O que provavelmente assustaria Jefferson, Sandrinho e outros gays cândidos das novelas de outros tempos.